Postado por Célia terça-feira, 12 de julho de 2011 0 comentários

“O aluno perfeito”

Rubem Alves







Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida e eles esperaram com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador!

Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de “Memorioso” porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. “Memorioso” era o apelido de um homem extraordinário, de memória absolutamente perfeita, cuja estória Borges descreveu no seu conto “Funes, o Memorioso”.

Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão muito bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso merorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação.

Mas isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de paises longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as sonatas já compostas pelos músicos, todos os poemas já escritos, todos os quadros já pintados. A memória de Memorioso era perfeita. Só tirava dez. Isso era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. E quando os filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: “Por que você não é como o Memorioso?”

Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele freqüentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutorado no M.I.T.

Depois da cerimônia acadêmica, o jantar. E estavam todos felizes no jantar quando uma linda moça se aproximou de Memorioso, sorridente: “Sou repórter e gostaria de lhe fazer uma pergunta”, ela disse. “Pode fazer”, disse Memorioso confiante. Ele sabia todas as respostas. Aí ela fez a pergunta: “De tudo o que você memorizou da ciência, da história, da cultura, o que é que mais lhe deu prazer?

Memorioso ficou em silêncio. Aquela pergunta nunca lhe havia sido feita. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas a resposta não estava registrada na sua memória. Onde poderia estar? Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder aos comandos. Depois apagou, entrou em coma.

Levado às pressas para o hospital de computadores verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas que a memória não pode responder. Para respondê-las é preciso coração.

Postado por Célia

FILHOS DE BOM CORAÇÃO

Postado por Célia sexta-feira, 15 de abril de 2011 0 comentários




FILHOS DE BOM CORAÇÃO



Bondade não está na moda. Crianças boazinhas passam a impressão de que estão com medo ou são meio lerdinhas. Por que isso? Porque os contravalores que a sociedade está construindo e a mídia divulgando são outros. Vencer é melhor. Ser o mais rápido, mais esperto ou mais forte é alvo da molecada. As mensagens divulgadas estão impregnadas dessas idéias, enquanto as que valorizam o “bom coração” nem aparecem.

Minha avó já dizia: “Marcos, vá brincar com aquele menino, ele tem bom coração.” Eu ia. Mesmo sem saber o que realmente isso significava. E as brincadeiras eram muito legais, a gente se divertia muito. Quando eu brincava com alguém que não recebia esse título, logo desistia. Eram brincadeiras de empurrar, bater, sacanear alguém, jogar pedras em cachorros, quebrar vidraças. Parecia diversão, mas não era. Ficava aquele gostinho de “eu não devia estar fazendo isso”. Minha consciência pesava. Fazer o mal a alguém ou a algum animal para se divertir não era certo, nem no passado nem hoje. Ninguém precisa da dor do outro para rir. Podemos rir de tantas outras coisas. Podemos rir de nós mesmos e das nossas trapalhadas. Humilhar alguém para aparecer na turma, para ser o “popular” não é o caminho ao qual devemos incentivar nossos filhos.

Como ensinar os valores corretos? Falando, explicando, mostrando o que é humilhação, mostrando a dor do outro e fazendo nossos filhos refletirem a respeito. Esse é o começo. Além disso, podemos incentivar e elogiar todas as vezes que nossos filhos apresentarem algum comportamento solidário, honesto ou de caráter. Isso os fará perceber que o caminho para a maturidade está na construção e não na destruição. Está em agir de forma a aproximar as pessoas ao invés de afastar.

Recentemente estive conversando com um empresário em um vôo para São Paulo. Conversávamos sobre contratação e demissão. Como é difícil acertar. Um dos critérios que ele utiliza para demitir é a forma como o funcionário fez amigos ou inimigos dentro da empresa. Tem gente muito chata, meticulosa, legalista, mas ajuda é solidário. Outros são barulhentos, divertidos, falastrões, mas não ajudam ninguém, são egoístas e autocentrados. Ficam esperando elogios ao invés de trabalhar e de levar outros consigo para a vitória. Querem vencer sozinhos. Esses não permanecem na empresa. Os que ficam são aqueles que, não importando a personalidade que tem, são amigos, batalhadores, que elogiam os colegas quando acertam e criticam quando erram, mas o fazem discretamente. Pessoas assim não crescem por acaso, não tem sucesso por sorte. Crescem porque desde a infância aprenderam a valorizar o outro. São pessoas de “bom coração”.


MARCOS MEIER é mestre em Educação, psicólogo, escritor e palestrante.

Postado por Célia quarta-feira, 30 de março de 2011 0 comentários

Filhos são do mundo ( José Saramago)

Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos. Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!

"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver ".

Postado por Célia sexta-feira, 18 de março de 2011 0 comentários

Criança doente quer...
Além de remédios e cuidados, filhos doentes precisam da serenidade e da paciência dos pais

PAIS DE CRIANÇAS sempre estão às voltas com doenças de seus filhos. Ora é uma gripe, uma infecção de garganta, febre, tosse, dificuldades respiratórias, dor de barriga, diarreia etc. Ah! E sempre é preciso contar também com pequenos ferimentos, fruto de quedas, tropeços e até de pequenas brigas.
Em toda casa em que há crianças, há sempre uma pequena farmácia: xaropes, antitérmicos, termômetro, inalador, umidificador de ar, gaze, esparadrapo, entre outros medicamentos e apetrechos, têm presença quase obrigatórias nessas casas.
É comum criança pequena perder a fome quando adoece. É que seu organismo precisa de energia para lutar contra a doença e não pode desperdiçá-la com o trabalho digestivo, não é verdade?
Mas uma gostosura feita com pouco açúcar e muito afeto sempre dá uma força extra para a criança.
A criança, quando está doente, precisa de muita, muita atenção e de carinho de seus pais ou parentes queridos. É que, com a doença, por mais simples que ela seja, chegam sensações não muito agradáveis de se conviver. A insegurança, o medo, a sensação de desamparo e a inquietação são algumas.
Se o adulto sente tudo isso nessa hora, por que haveria de ser diferente com os mais novos?
Então, além da visita ao médico de confiança e dos cuidados e remédios que ele prescreve, tudo o que o filho precisa nessa hora é da serenidade dos pais, de sua firmeza ao dar os remédios receitados e de muita, muita paciência deles. Colo: é disso que a criança precisa e quer.
Colo conforta, colo alegra, colo energiza a criança debilitada. E quando digo colo não me refiro apenas ao ato de pegar a criança.
Ler uma história para ela, relembrar um episódio engraçado, passar a mão em sua cabeça e até encorajá-la nas piores horas são excelentes remédios -ou melhor, colos- que os pais podem dar a seus filhos como uma ajuda importante em busca da recuperação da criança.
A base do excelente trabalho do grupo "Doutores da Alegria" é exatamente essa.
Mas, e quando os pais trabalham e não podem se ausentar de seus compromissos profissionais? Bem, se a realidade é essa, sempre é possível encontrar maneiras de se fazer presente na vida do filho mesmo na ausência.
Pequenos bilhetes carinhosos deixados com ele, telefonemas rápidos só para desejar melhoras, as refeições preferidas dele deixadas prontas são alguns exemplos. É bom lembrar que a casa, para a criança, representa seus pais, mesmo quando eles lá não estão. Por isso, só o fato de estar em casa já é um conforto.
Hoje, não é em casa que muitas crianças doentes ficam. Elas são levadas para a escola por seus pais. E pasme, caro leitor: algumas mães levam junto com o filho doente a receita médica e os remédios para que os professores deem para a criança. E mais: algumas mães até dizem que precisam que a escola faça isso porque elas próprias não conseguem. Lugar de criança doente não é na escola! Para a segurança física e emocional dela, convém lembrar.
Quem tem filhos deve saber que uma hora ou outra uma doença sem gravidade vai aparecer. E que isso significa noites mal dormidas, cansaço a mais, dedicação e cuidados especiais e mudança na rotina familiar. Não há como ser diferente.
Essas doenças leves logo passam. Mas a sensação de abandono que a criança doente deixada na escola por seus pais sente pode ficar.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)artigo publicado no dia 01/03/2011-Folha Equilíbrio.

Postado por Célia quarta-feira, 2 de março de 2011 0 comentários

Postado por Célia quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 0 comentários

Seja bem-vindo ao Mater Dei


As férias terminaram!

É hora de recomeçar, voltar ao trabalho,colocar "mãos na massa"!

A receita é simples:basta adicionar um pouco de vontade às suas idéias, saber que um trabalho criativo e bem feito será elogiado e reconhecido por todos.

Um bom aluno precisa sempre querer saber mais, ter curiosidade,descobrir o mundo , criar alternativas,abrir caminhos para o seu futuro.

Para isso é preciso trabalho,disciplina e conhecimento e boas idéias sempre.

"Vamos , então, arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa."

O ano está só começando e nós queremos ser parceiros e amigos do seu trabalho e na sua rotina.

Seja bem-vindo! É muito bom revê-lo!

Trabalhe com alegria e transforme todos os seus dias em receitas de felicidade!


Célia

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